Da mesma forma com que pessoas gastadoras não conseguem acumular capital para fazer grandes compras, países que não economizam também se restringem. Tanto para um país, como para um indivíduo, a poupança é fundamental para o desenvolvimento, uma vez que possibilita investimentos. No caso de um indivíduo que pretende aumentar sua riqueza, ele deve procurar sempre investir em ativos (como já diria o popular livro Pai Rico, Pai Pobre). Isso, pois, ativos como imóveis, boas ações de empresas, títulos do tesouro ou mesmo a poupança acabam rendendo dinheiro que soma-se à quantia investida inicialmente. Assim, aos poucos um investimento de R$ 10.000,00 que rende uma taxa de 10% ao ano (R$ 1.000,00), pode tornar-se um patrimônio de R$ 100.000,00 que rende R$ 10.000,00 ao ano (o que daria um “salário” extra de R$ 833 no mês, sem precisar trabalhar hora alguma a mais).

O que aconteceu é que o indivíduo utilizou do capital (poupança) para investir e aumentar sua produtividade em conquistar mais capital. Antes, somente com o salário de seu emprego, o sujeito era limitado em seus ganhos no valor de seu contracheque. Com poupanças, ele pode investir e começar a ter ganhos sem precisar trabalhar. Como isso é possível? Ora, o seu dinheiro trabalha para ele. Ao utilizar uma poupança, por exemplo, o sujeito empresta dinheiro ao banco em troca de um pequeno juro. O banco, por sua vez, empresta à terceiros cobrando um juro maior. Certo, mas então como uma população de poupadores pode auxiliar a economia de um país?

O dinheiro, assim como qualquer outro produto que é trocado, possui um preço. O preço do dinheiro basicamente é representado pelo juro. Ou seja, o quanto eu estou disposto a abrir mão do meu dinheiro hoje em troca de um valor maior no futuro (a remuneração sobre o empréstimo). E, como qualquer outro produto, o dinheiro também está exposto à lei da oferta e demanda. Logo, quanto mais dinheiro há disponível para ser emprestado nos bancos, mais barato esse dinheiro se torna (menor será a taxa de juro). Em um país onde há taxas menores de juros, pegar dinheiro emprestado torna-se mais barato e, portanto, empresas e indivíduos podem investir mais (os investimentos são mais baratos e, também, empreendimentos tornam-se mais fáceis de serem viabilizados). Assim, concluímos que a poupança facilita o financiamento de investimentos, os quais chamaremos de bens de capital.

Bens de capital são fatores de produção — ferramentas, maquinários, computadores, tratores, escavadeiras, edificações, fábricas, meios de transporte e de comunicação, minas, fazendas agrícolas, armazéns, escritórios etc. — que auxiliam as pessoas em suas tarefas e, consequentemente, tornam o trabalho humano mais produtivo. Estes bens de capital permitem a produção de mais bens de consumo (bebidas e alimentos, por exemplo). Logo, a vida torna-se muito melhor uma vez que a sociedade tem à sua disposição mais produtos e, em boa parte, mais acessíveis (dada a sua grande quantidade).

Resumindo: o dinheiro é um produto como qualquer outro. Quanto maior a sua disponibilidade no mercado, menor é o seu preço. Lei da oferta e demanda. O preço do dinheiro é representado pela taxa de juro. Quanto maior a taxa de juro, mais caro é ter o dinheiro em mãos, uma vez que há pouco dinheiro disponível guardado.

Agora vamos ao Brasil: como você deve imaginar, a taxa de juro no Brasil é enorme quando comparada com países semelhantes ou mais desenvolvidos (e você aí que se perguntava porque somos um país pobre). Claro que um dos motivos para nossa taxa de juros ser tão alta é exatamente o fato de o brasileiro não ter o hábito de poupar. A diferença torna-se óbvia quanto comparamos as taxas de juros: no Brasil a taxa de juros (SELIC) está em 9% ao ano, enquanto nos EUA e Japão as taxas são de 0,25% e 0,1% respectivamente. Para comparar com um país mais próximo ao Brasil, no Chile a taxa de juros é de 5% (ainda bem inferior à brasileira).

E bom, nos últimos anos o consumo está sendo estimulado cada vez mais pelo governo através de gastanças suas e programas/campanhas para que a população continue consumindo sem parar. Acontece que já chegamos ao ponto do consumo estar sendo estimulado às custas de dívidas (o brasileiro hoje tem em média 40% do seu orçamento comprometido com dívidas). Além disso, apenas pouco mais da metade dos brasileiros possui conta bancária e, menos ainda, poupam (20%). Aí você me pergunta: “Bartolomeu, e se o governo então baixar a taxa de juros para 0,1% como no Japão, a coisa não melhoraria?”. Ao que lhe respondo: não, pioraria!

O que acontece quando um produto é vendido por um preço muito abaixo do que os consumidores pagam? Ele se esgota! E essa é uma das grandes críticas dos economistas austríacos aos demais. A manipulação da taxa de juros pelo governo é só uma forma de “maquiar” o verdadeiro preço do dinheiro, e que põe em risco a situação financeira do país, pois prejudica o investidor a tomar decisões sobre pegar dinheiro emprestado ou não, podendo levar o país facilmente à crises financeiras.

Para concluir, então, se você quer ser rico ou se queremos ser um país rico no futuro, precisaremos aprender a estimular a poupança. Só assim é possível financiar investimentos de bens de capital que aumentarão nossa produção e, consequentemente, gerarão mais produtos e riquezas para a nossa economia. Como nos diz o economista espanhol Jesús Huerta de Soto, para uma sociedade prosperar, a poupança e a acumulação de capital devem ser incentivadas; jamais devem ser punidas. “Sociedades que permitem que as cigarras imponham sua filosofia às formigas jamais poderão ser ricas”. A riqueza só pode ser criada por meio da poupança e da acumulação de bens de capital. Não há atalhos para esse processo. A redistribuição de riqueza, por exemplo, gera pobreza e perpetua a pobreza, pois faz com que os bens de consumo e investimentos sejam gastos (eliminando a produtividade/rendimentos que proporcionam). Porém, como o fenômeno não é imediato, ele pode ser implantado durante algum tempo sem que suas consequências sejam imediatamente sentidas. Mas, cedo ou tarde elas certamente serão.

A única maneira de se favorecer as classes trabalhadoras e os mais pobres, portanto, é dotando-lhes de bens de capital, os quais são produzidos graças à poupança e ao investimento de capitalistas.

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